Domingo, Maio 13, 2007

Efígie

Num jardim de pedras polidas e sujas
(dos corações que se esquecem)
é apenas mais um anjo de cimento
(um nome de lábios que já não conhecem).

Entardece e a sombra cobre mais dor
(mais um raio de sombra pela ausência)
Daquele homem ao canto do balcão
(sofrendo em solidão de pura demência).

Ao ritmo da culpa do seu pesadelo
(as horas de bar são mais horas passadas)
O seu coração já não lembra se sangra
(os dias não passam de causas falhadas).

E é um murmúrio subtil nas flores
(um vento que lembra despedidas),
É a voz que vem dos anjos de pedra
Quando recordam as asas perdidas.

Quarta-feira, Abril 25, 2007

Viver!

Deixem-me viver, conhecer!
Eu quero amar, descobrir!
Quero vaguear e correr,
Quero gritar! Quero rir!
Viajar, sonhar, imaginar,
Ir aqui, ali, mais além,
Fascinar-me com a vida de alguém!
Quero que venhas comigo também!

Deixem-me mostrar a toda a gente,
A minha vida, o meu eu,
O que em mim há de diferente,
E o que em todos há de meu!

Quero viajar por todo o mundo,
Conhecer este, aquele, o outro!
Amar-te a ti, a mim, a todos!
E que o amor seja profundo!

Viver assim ou assado, tanto me faz!
Não quero viver cansado uma vida fugaz!
Eu vivo, conheço, amo, sonho,
E descubro os tesouros que a vida me trás!

Eu quero viver as mais belas epopeias,
Quero fazer de tudo novidade,
Nos mares, nas terras, no gelo e nas areias!
É apenas mais um dia que me mata de vontade!

Eu sou o deus que cria a minha vida,
E crio aqui, por ali, mais por além!
Apenas quero o local da partida,
E viver por mim e por mais ninguém!
Apenas viver descansado uma vida de paz,
Viver assim ou assado, tanto me faz!

Abril!

Para aqueles que são fracos
Para aqueles que desdenham,
Se não sabem que são livres,
Se não dão valor, não venham!

Se não querem conhecer
As portas que Abril abriu,
Ou se não sabem viver,
Vão para a puta que os pariu!

Vocês têm a escuridão
Nós temos a nossa vida!
Ou se é forte e não se cai
Ou não se encontra a saída!

Se não conhecem as flores
Que aquele Abril floriu,
Peguem nos vossos valores
Vão para a puta que os pariu!

Sexta-feira, Março 16, 2007

Poema Transatlântico

Words mix together until nothing makes sense
Hearts beat so rapidly it’s hard to breathe
Dreams drown our minds and stop time
Paralyzed in this spot we stand
Eyes peruse the floor afraid to meet
Hands fumble and feet cross
As the wind carries off our muddled words
Silence envelopes us
Prende-nos
Aceita-nos
O mesmo silêncio que quebrámos ao nascer
Que matamos de saudade…
Somos apenas silêncio
Enquanto as nossas mãos se procuram…

Porque não sabíamos nós como se falava?
Vivemos a milhares de palavras de distância.

Olhamos o céu estrelado de desejos
Pedimos um cálido abraço da noite
Procuramos palavras do coração
Que lhe digam mais que um olhar envergonhado…
Murmuramos silêncio…

Until finally, eyes meet
No longer fumbling, hands touch
Suddenly words mean nothing
And our lips brush
The world dissappears
And all that's left is us...


Emanuel Madalena & Sonia Vaz

A uma certa solidão desconhecida…

Como se fosses a minha solidão
E partilhasses comigo os teus dias…
São agora os nossos!

Me olhasses com olhos de lua cheia
Abrisses a mão, largasses areia
Como se ela voasse ao vento como nós!

Como se fosses tu que me acordasses
E estivesses lá quando me deito…
Estás lá no meu sonho!

E eu que não sei como não estar sozinho
Estamos tão perto, mas a meio caminho…
Como podemos morrer se amarmos!

De costas para o mundo

Deito-me de costas para o mundo.
Estou nele mas viajo ao vento, estou nas nuvens, estou no céu…
Sou agora quem olha para mim, por uns breves esgares que se esgotam no tempo.
Vejo. Sou eu. A minha alma é meiga.
O olhar é deserto.
É a luz que não chega.
É simplesmente a saudade de a ter nas minhas mãos.
Agora estou duas lágrimas mais velho.
Não olho mais para mim.
Deixai-me desejar ser nada.
Nem desejo.
Nem lembrança.
Nem pensamento.
Sonho sim, mas sem sentir…
Hoje, só por hoje, ficarei deitado de costas para o mundo.

Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007

Eu sou o que sinto dos meus dias.
Sou o toque na minha pele e toda a dor que irei conhecer.
Sou um respirar constante e sou o calor que emana de mim.
Sou o meu corpo projectado para o mundo.
Eu sou todos os meus gestos.
Eu sou todos os meus dias.
Tudo o que de mais há neles é meu.

Sábado, Janeiro 20, 2007

Que triste não saber florir!

Florir é mostrar beleza. É revelar as cores que se escondiam.
Florir é saber ondular ao vento, quer se esteja sozinha num vaso ou com centenas de outras flores num prado imenso.
Florir é beber da chuva e querê-la. É esticar as pétalas ao sol, sorrir e ser feliz.
Florir também é estar triste, quando está de noite. É fazer da luz em abstracto um motivo concreto para viver.
Florir é não pensar na noite que vem e só pensar no dia que veio.
Florir é gostar das outras floridas. É querer ser igual a elas.
É amá-las.
E admirá-las pelo que são.
Florir é nascer de novo e nunca mais deixar de estar florida.
É sentir falta da primavera e querer simplesmente estar com quem sabe florir.
E que triste é não saber florir!
Não saber ondular ao vento, nem saber querer a chuva.
É triste não saber florir.
Por isso os outros são tristes. Não sabem florir.
É isso que me faz florir sozinho. Sozinho num prado imenso.Não sou feliz, apenas ondulo ao vento.

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Dias desenho

Gosto dos dias quando eles começam.
Gosto de manhãs frias.
Gosto das tardes sonolentas quando me deixo dormir pelo dia adentro…
Gosto quando eles não prometem nada. Quando são uma página em branco à espera que eu escreva nela alguma coisa.
Às vezes escrevo, às vezes não.
Às vezes desenho. Às vezes rasgo-a.
Só não gosto dos dias que já são páginas de agenda.
E de quando prometem muitas coisas.
Gosto de acordar desenho. Os lençóis são as folhas brancas. Eu sou a cor.
Mas também não me importo que os dias sejam cinzentos. Que eu não seja cor.
Gosto quando sou cinzento e chove lá fora.
E cá dentro…
Já dizia O poeta. Pensar incomoda como andar à chuva, quando o vento cresce e parece que chove mais.
Mas eu às vezes gosto de andar à chuva.
Só não gosto do vento. Por isso penso menos.
Não penso no vento. O vento é caos. O vento é o turbilhão dos dias de agenda.
Sento-me lá fora a olhar cá para dentro e penso de chuva. A chuva é o sangue que corre por mim.
A chuva diz que está vento. Mas eu não quero saber disso.
A chuva diz que está frio. A chuva fria é a que se sente mais.
A chuva diz que ninguém quer a minha saudade e a minha melancolia. E eu sei que ninguém partilharia a chuva comigo.
A chuva diz que amanhã estará tempo seco. E eu não pensarei em nada.
Amanhã já não chove. O sangue já não corre.
Mesmo assim o dia será desenho.
E eu vou escrever coisas bonitas pelo dia.
Apenas para mim. Para o dia. E para mais ninguém.

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

Poema Vulva

Tomo-lhe apenas consciência,
Reparo leve, como ao brilho,
Uma breve evanescência
De tal parte, com dormência
De franqueza de espartilho.

Mas o que oculta a vista
Do meu incauto tesão,
Será finalmente revista
Com o sentido que resista
Ao aroma pulsação.

E o calor será sentido.
Sentido vulva como fim!
Espalha-se o ser ao comprido,
Toca-se em todo o sentido,
Fazendo do corpo um festim.

E assim se escreve no ar,
Rarefeito por humores,
O poema vulva que a par,
Sem nunca deixar de agradar,
Fluiu de eternos calores.

Escrito em páginas brancas
De algodão marcado a suor,
São poemas que as lembranças
Já não deixam ser crianças,
São poemas de calor.

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

3. A Luxúria

Usamos o tédio
Respiramos a forma

É veludo monotonia

Sangramos luxúria pelo músculo da apatia.

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

Murmúrio...

Saudade é excesso de lembrança.
É a tal dor que desatina, mas doendo mesmo.
É deixar de cantar.
É pranto.
É ter as mãos geladas sem o coração quente.

Saudade é o céu com nuvens.
É Inverno.
É uma manhã fria sem esperança.
Sem café com leite.
Sem torradas com manteiga derretida.

Saudade é o nevoeiro que brilha ao luar.
É o rio que gela.
É ouvir a chuva a suspirar nos telhados.

Saudade é não conseguir dormir.
É não querer acordar.

Saudade é dor de cabeça.
É suor frio.
É sangrar devagarinho até ficar pálido.

Saudade é arrastar a solidão.
É esmagar o peito.
É viver um pouco menos.
É morrer um pouco mais.

Saudade é perder o comboio.
É ser o último a chegar.
É ficar sempre de fora.

Saudade é odiar o destino.
É negar o mundo.
É querer o ontem.
É não existir amanhã.

Saudade é não ter tempo.
É estar parado.
É envelhecer sem rugas.
Sem netos.
Sem mantas aos losangos.
Sem cabelos brancos.

Saudade é loucura.
É infâmia.
É mentira.
É solidão.

Saudade é o céu sem estrelas.
É moinho sem vento.
É não sentir mais a chuva na cara.

Saudade é não haver razão.
É não saber porquê.
É não querer um sentido.

Saudade é monólogo.
É poema.
É soneto.
É morrer a poesia quando se escreve uma linha.

Saudade é cegueira.
É surdez.
É querer dar os cinco sentidos para ter o sexto.

Saudade é o café frio.
É o pão sem sal.
É a flor sem cheiro.

Saudade é não gritar.
É não dar beijos.
É não tocar.
É não sentir.

Saudade é medo.
É falta.
É um vazio na alma.
É um fim que nos lembra demasiado perto.

Saudade é silêncio.
É sussurro.
É deixar as palavras morrer…
…num murmúrio.

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

...

Soube a silêncio...

A tarde de hoje foi assim...

O parque tinha o baloiço só...
e as folhas recolhidas do chão.

O baloiço parou!
Fizeste questão disso...
deixaste o parque só.
E as folhas.. recolhidas...de cartas vividas...
...rasgadas, recolhidas, pra serem queimadas... e depois sopradas em ventos roubados por narcisos encantados junto aos lagos.

Deixaste-me assim...

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

2. A Avareza

Bê-á-bá
Mais fácil não há!

Bê-á-bê
Dane-se você!

Bê-á-bi
Não vou por aí!

Bê-á-bó
Que até mete dó!

Bê-á-bu
E levas no cu…

Dou-vos poema avarento
Com palavras cansadas feitas de vento.

Terça-feira, Dezembro 05, 2006

Flores

O canteiro de flores laranjas,
é esse o lugar onde merecias estar...
Queres que te ponha lá?
Assim transformas-te na mais bela das 500 flores laranjas que ali estão.
Anda, eu ajudo-te, planto-te... e prometo que te venho ver todos os dias, regar, mimar...
E depois ao luar... ui.. nem quero imaginar de tão bela que vais ficar...
Assim até me dá vontade de te ver duas vezes ao dia... de manhã quando o sol nasce... e à noite quando a luz da lua reflecte no teu brilho..
Que achas?

=)

1. O Orgulho

Cantamos o sol
Gritamos ao vento

neste

lento

tormento...

Quando a chuva cai
suspiramos um ai

Fazemos barulho
apenas enchemos o mundo de orgulho.

Domingo, Dezembro 03, 2006

Na terra de quem anda descalço


Na terra de quem anda descalço.
Sente-se o cheiro de terra pisada.
Sentem-se as pedras, o irregular da natureza.
Sente-se o Planeta, as pegadas de quem la passou, o amor ou até a raiva de quem lá sentiu.
Sente-se a solidão do ancião, sente-se o seu pensamento.
Sente-se o medo de uma criança, a alegria de uma mãe.
Cheirinhos de chá das ervas, das frutas frescas, das raízes colhidas.
Sente-se a união da comunidade segura de si, de que nunca encontrarão obstáculos da civilização que firam todos aqueles que estão descalços.

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Em toda a nossa pura existência.. na mais pura das essências...
vamos mudando de rumos...
mudam-se as caras...
mudam-se as pessoas...
Os amigos de hoje, os inimigos de amanhã!
O amor que sinto hoje...E o teu ódio futuro.

Mas no final de tudo... todos se vao embora...
Todos!
Até eu... um dia me vou embora e vou deixar de ser a cara dos de amanhã...
E assim fico sozinha... e ficam sozinhos..
Morremos todos muito sós!

Aos meus companheiros...

O grito dos anjos que convalescem dos céus que nao são branco nem azul...
Que céu bonito... o sol incide ali no ponto de extrema clareza...
O Regozijo das fadas que bailam nos bosques sombrios, de impurezas... dos mal amados, daqueles rejeitados...
O sábio dos montes altos que lê as infindáveis páginas de historias enexperenciadas...

A todos aqueles que lutaram e nao conseguiram e aqueles que lutaram e desistiram.. mas principalmente aqueles que lutarame conseguiram...

A vocês sábios companheiros de caminhos em vidas...
A nossas vidas...
Uns perdem-se e reencontram-se, outros saem e desaparecem... outros vivem e desesperam..outros nao desesperam porque sabem viver...

O que me poderás dar tu? sábio mundo?
És tu que mais me podes ajudar.. em poucos minutos de saber... acomulados, violados, criticados, mudados...

Quem será? Sábio! Tu que me dás as cores, que me deste o seu sabor.. que me deste o saber de saber o que é saber...

Depois de tantos anos pra saber.. morre-se sem saber nada... nao sei nada..nunca hei-de saber rigorosamente nada...

Porque me julgam? ou por quem me julgam..?

Serão vós Homens e companheiros dotados de juizos julgatórios da falta de competência...

Sim...! como queiram...

Não me iludo mais.. nem me quero que me iludam... nem a competência dos amados.. me faz sentir melhor..

O que será então, o melhor?

Se sabeis... digam-me companheiros...
Ensinem-me um pouco a ser feliz!

Sábado, Novembro 11, 2006

Um banco em frente à praia


“Anda! Vamos á praia... Vamos ver a estrela da manhã, a ir-se embora, com pena.” Dizes tu enquanto te levantas e me puxas pela mão.
Tínhamos passado todo o resto daquela noite quente de Verão na praia, sentados naquele banco velho.
Naquele banco marcado com infinitas letras e símbolos de amores como o nosso. Se o nosso é igual ao que sempre existiu entre dois amantes, como fazer entender ao mundo que o nosso é maravilhosamente diferente? Deixar mais uma marca naquela madeira branda?
Para já não. Temos uma estrela da manhã que se quer despedir de nós.





Agora que o Verão acabou, lembro-me daquele banco em frente à praia.
Lembro-me de como passámos lá o resto daquela noite marcada a estrelas de prata.
Lembro-me dos vestígios vincados na madeira, que desvendámos os seus significados e imaginámos as histórias dos seus autores.
Lembro-me de quando tu me disseste que querias que o tempo parasse naquela noite, e eu te perguntei o que era isso do “tempo”.
“É como um velho homem a acender e a apagar todas as estrelas do céu... Calmamente… À medida que envelhece…” Disseste tu.
E como passou esse tempo.
Agora o Outono arrefece as estrelas da manhã e folhas de cores tristes cobrem aquelas letrinhas que juraram pela nossa eternidade… Ali… Naquele banco em frente à praia.

Domingo, Novembro 05, 2006

Dom

Sumiu-me entre os dedos...
Foi sem querer...
Distrai-me por instantes a pensar na vida.

Sumiu...
Não tive intensão,
tentei procurá-lo até então.

Dom, onde estás tu?

A alegria outrora de menina,
agora solidão de mulher perdida.

Brinquei, gritei, sorri, colhi flores, espalhei cheiros de chás e ervas...

Desculpa... perdi-o no instante do pensamento...

Sei que te preocupas também por reaver... mas nada podes fazer...
Só eu poderei saber...

Perdoa-me amor...
O Dom terminou.

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

You are here.


Vamos então viver como o peito nos pede.
E o meu peito pede-te.
Chama por ti naquelas gavetinhas pequenas onde o espaço é pouco porque o abraço quer-se forte… E apareces nelas todas a preencher o que faltava…
As gavetinhas estão-te guardadas. As grandes não interessam porque são frias e desconfortáveis, mas as pequenas são para ti, para encheres com esse enorme sorriso que tantas vezes pergunto porquê.
Por isso faz-me o favor de manter as gavetinhas quentes, arrumadas e sempre cheias das maravilhosas bijutarias que são as conversas que em nós acontecem como as cerejas que saem do cesto de vime.
O meu peito pede-te.
Vamos então viver como o peito nos pede.
Encontrar o espaço e enchê-lo com o que faltava. Encontrar mais gavetinhas e torná-las em baús de ouro precioso como o peito que nos pede.
O peito só nos pede que o aqueçamos e que o enchamos um com o outro.
Só pede isso, e no entanto isso é tudo o que ele nos pode pedir.
Vamos então viver nas gavetinhas um do outro, ali guardados no canto maior do centro do nosso peito.

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

Memórias


Não são nada de especial. São apenas memórias.
Lembro-me bem que estava a chover.
De inicio eu encolhia-me, tentando que a chuva não me encharcasse. Mas tu não chegavas. E pouco tempo depois já não me encolhia. Já não me importava a chuva porque por mais pingos que caíssem não me iriam molhar mais.
Então aí fiz parte da chuva.
Senti-me diluir nas poças do passeio e escorrer pela rua abaixo.
Lembro-me bem disso. Estava a chover bastante.
Estava sentado com os braços apoiados nos joelhos. Com as mãos juntas e de dedos entrelaçados.
Lembro-me bem de como gostava de entrelaçar os dedos quando estava à espera.
Entrelaçava os dedos e perdia-me em viagens pelos meus pensamentos, pelas minhas memórias. Olhava o vazio infinito das recordações.
Lembro-me bem disso. Estava a chover bastante, e eu a viajar pelas minhas memórias.
Que estranho.
Tenho esta memória onde me lembro das minhas memórias daquela altura.
Mas lembro-me bem dessas memórias.
Não são nada de especial. São apenas memórias.
Não são memórias de grandiosos reis, de guerras profundas, de valorosos heróis…
Não são memórias de grandes homens, de artistas geniais, de gente importante…
Não são memórias de excitantes descobertas, de vivências felizes, de paixões intensas…
São apenas memórias.
Memórias de dedos entrelaçados quando chove demasiado.
São apenas memórias.
Memórias do tempo em que esperei por ti.

Traz contigo...

Traz contigo esses teus passos firmes
Que ritmam batidas cardíacas perdidas
Pela pressa
Pela ânsia tua de chegar a mim
Às minhas batidas cardíacas perdidas
Nos teus passos
Na tua ânsia de mim.

Traz contigo esse teu perfume inflamado
Que encobre o fumegar dos teus recantos
De desejo
De desejo cru do corpo
Que fumega perfumes inflamados
Que tu trazes
No desejo cru do corpo.

Traz contigo esse teu sorriso rasgado
Que nunca se esconde quando me encontra
E é feliz
Se por isso existe e renasce
Quando por mim nunca se esconde
Rasga-o e solta
Se por mim ele renasce.

Traz contigo esse teu toque suave
Que mostra a falta que falta ao corpo
Cálido
De toque quente e suave
Que falta na falta desse toque
Falta o corpo
Falta o quente e o suave.

Traz contigo esse teu beijo doce
Que aperta o meu coração a nada
Que até dói
Dói de amor lá no peito
Sente-se o maior dos apertos
Desse beijo doce
De amor lá no peito...

Terça-feira, Outubro 24, 2006

Soneto

Cansaço, tristeza, saudades de ti,
Os três viajantes da minha loucura.
Cansaço é eterno, tristeza senti
Pela saudade que ainda perdura.

Viajam os três lá por onde magoa,
Por entre negrume, destinos falhados,
Desânimo pelo devir que me doa,
Dor de cansaço de passos errados.

Desisto, insisto, mas não lembrarei
À minha tristeza que o bom foi outrora,
Se por lembrar a tristeza não sei.

Então só me resta pedir pelos dois,
Que juntos já são no terceiro de agora,
Para que o peso me mate depois.

Domingo, Outubro 15, 2006

Pensando...

"Hmm... Talvez porque és das poucas pessoas que conheci até agora k consegue parar no tempo e pensar..
No dia que passou, nas palavras que ouviu, nas palavras que teve de dizer para nao ser mal interpretada, ou nas que teve que dizer para poder ser ouvida...
Sei lá... Eu penso que vives e sabes que vives o que vives, porque pensas..."

E pronto... como o Trindade diz... penso e penso e penso na vida...
Pois penso.. e ele também pensa... quem nao pensa?
Gastamos tempo e água no chuveiro a divagar os dias...
Passamos o tempo em passos em calçadas com merda de pombo e de cão.. pensando na vida.
Pensamos porque foi e o porque não foi... ou o porque teve de ser...
Alucinamos em frustrações... em enganos... em desilusões de não haver atitudes...

Hoje sinto-me mal... tratei mal um amigo, falei-lhe com uma moral de respeito.
=/ Espero que me perdoes... mas também tive razão.
Para além disso... muitos parabéns, acho que foi a semana passada... nem soube muito bem.*

Hibernando...

Oh, nao me quiseste dizer bem..
foi um pouco imperceptivel...
Chão descalço e frio...
feriu-me o pes..
feriu-me a alma..
estamos no Outono..
as folhas caem-me...
eu caiu-me...
Nao me despertes.. estou prestes a Hibernar!

Sábado, Outubro 14, 2006

=D

A sujidade dentária da carne grelhada, do tabaco puxado e expirado...
Já não se vê escova há 3 dias.
Ouvi dizer outro dia... foste bem ali, no fundo da rua.

O dente podre dói-me, nao vejo dentista há 4 anos.
E a minha pasta ja saiu do mercado há uns anos.
O hálito sofoca o mendigo... é bem mais forte que o dele.

Cheiro a bagaço e drogas e o podre das carnes e peixes.
Que cheiro fudido.

Mas é só uma das outras partes de ti...

Apenas corre... sempre que quiseres e que poderes.

Irregularidade!
Dentes, potridos e em falhas e musgos e novos seres! e plantas e ... resinas resinadas.
Resinas e carvão...

Que nojo!

Terça-feira, Outubro 03, 2006

Tudo são ruínas…

Tudo começou com uma voz no escuro…
E isso é diferente, porque tudo começou por causa de não importar que eu grite o dia inteiro para ninguém.
Foi como um alívio para sempre.
Tudo são ruínas e tudo é claro para mim agora. À medida que a poeira assenta por entre as fotografias coloridas que eu tirava com um piscar de olhos.
Lembras-te de quando eu fazia isso? De quando eu piscava os olhos e tirava fotografias geniais de uma expressão qualquer tua para guardar em extensos álbuns na minha memória?
Tudo começou quando a voz no escuro encontrou finalmente a luz para reflectir a cor que te pertence…
E isso é diferente, porque tudo começou com sonhos a preto e branco de desejos dos mais urgentes e indestrutíveis que um mero vulto como eu pode ter.
Foi como um acordar para sempre.
Tudo são ruínas e tudo é doloroso para mim agora. Limpo com as costas da mão tudo aquilo que deixaste para trás. Agora a minha mão húmida brilha.
Lembras-te como chovia e como tudo brilhava em volta da minha mão na tua face? De como o mundo cintilava com a chuva de Outono que descobria um sol pálido e preguiçoso enquanto a minha mão não se arrependia e continuava contigo?
Tudo começou quando a tua cor encontrou a forma, o toque, o calor na minha mão envolta pelo brilho da chuva de Outono e daquele sol preguiçoso…
E isso é diferente porque tudo começou por eu não sentir nas pontas dos meus dedos mais do que pele morta e fria, por eu não sentir nos meus pés o áspero do chão no caminho para a minha casa.
Foi como uma salvação para sempre.
Tudo são ruínas e tudo é futuro para mim agora. O movimento é lento e honesto e figura tudo aquilo que a voz cala, que o sonho alimenta, que o devir canta e que as sombras permitem.
Lembras-te de como tudo fez sentido? De como mais nada importou além daquele abraço cálido?
Tudo começou quando os nossos corações acertaram o passo e pela primeira vez partilhámos o seu batimento…

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Flores

Correndo atrás do autocarro que por aí vem, segues-me os passos como se fosse um nunca mais.
Aí sorrindo em tal azafama de não querer a perdida... beijo-te de relance e sorriu...
E daí vês-me subindo... e vês-me indo... como se fosse um nunca mais.
Não amor, sinto a tua falta... ainda sou uma criança... adoro sorrir contigo... e quando me dás a mão as flores nascem no chão, em alcatrão... e as borbuletas nascem em invernos...
Adoro quando me aqueces as mãos... adoro quando me fazes vontades..
adoro quando simplesmente perguntas por mim.
O que se passa?
Porque me temes? Assim também me temo.. já me temendo... preciso que cuides de mim...
O que se passa?
Faço-te mal?
Ou faço-me mal?
Faço-nos mal?

Porquê o silêncio?

Grito! ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Mundo... estranho...
Fazem-se guerras pela paz.

QUERO AS MINHAS FLORES!

Domingo, Outubro 01, 2006

Bolhas de ar

Inalando o que há de mais podre no nosso ar...
Os cheiros, a poluiçao de carros, de fábricas, de lixos, de tudo.
Respiram-se pessoas... as suas vidas, as suas ambições, as suas preversidades.
Respiram-se crianças... a sua enocência, a sua bondade sem preconceitos.
Respiram-se os Grandes... o seu calculismo, o seu egoísmo, a sua vaidade.
Respiram-se os pobres... o seu desespero, a sua revolta, a sua violência.

No mundo de cheiros, as pessoas não são livres... o ar começa a ser escasso.
Lutam árduamente para receber a bolha de oxigénio por minuto.
Primeiro os grandes, são eles os dotados de capital, depois crianças e idosos.
E mais tarde, pode ser que sobre para ti.

Enquanto isso, inala-se a droga da mais rasca que há... bebe-se o copo, desespera-se...
e por fim, tem o teu descanso garantido... o corpo atirado por uma valeta...
dos milhares de corpos que por aí andam espalhados.

Não soube amar ninguém... só soube lutar por mim, pelo meu oxigénio.
Houve quem me amou... e eu preocupada com a minha bolha... minuto a minuto...
e não soube perder o folego de um amor ardente... pelo meu seguro.

Hoje as sombras assustam-me, as pessoas anseiam-me e o meu amor foi-se.

Zoloft ou Como Aprender a Estar Triste


Efeitos secundários possíveis
ZOLOFT como os demais medicamentos, pode causar efeitos secundários. Os estudos clínicos realizados em doentes com depressão ou com perturbação obsessiva compulsiva, mostraram que os efeitos secundários que mais frequentemente ocorreram com a sertralina foram boca seca, diarreia/fezes moles, dispepsia, tonturas, anorexia, náuseas, tremores, hipersudorese, insónia, sonolência e disfunção sexual, principalmente manifestada por atraso na ejaculação no homem.

Está um dia cinzento, frio e húmido.
Perfeito para acordar para mais um dia cansativo e sem sentido. Sim. Desperto com o frio que me dói nos ossos e faz correr o sangue. Abro os olhos para a pouca luz à minha volta. Assim é mais fácil. Não preciso de semicerrar os olhos pelo reflexo da tinta branca da minha casa nem de desviar o olhar para baixo para evitar a luz quente do sol.
Acordei num dia melancólico. E está fresco. Faz-me pensar.

Os efeitos secundários que mais frequentemente foram referidos desde que o medicamento foi introduzido no mercado incluem: astenia (falta de forças), fadiga, rubor,

A face dela corada é o mais difícil da manhã. Devia ser beijada.

exantema cutâneo (manchas na pele), dor toráxica, palpitações,

Ela olha para mim e sorri. Diz-me qualquer coisa e de repente sou todo batimento cardíaco.

dor abdominal, obstipação, vómitos, cefaleias, sintomas extrapiramidais (alterações de movimento), parestesia (sensação de formigueiro ou adormecimento dos membros), hipostesia (diminuição da sensibilidade táctil),

Poder dar-lhe a mão. Passá-la pela face dela corada que é o mais difícil da manhã.

agitação, ansiedade, bocejos, zumbidos, irregularidades menstruais e distúrbios visuais. Menos frequentemente foram descritos os seguintes efeitos secundários: febre, mal-estar, perda de peso, aumento de peso, aumento de apetite, púrpura, prurido, alopécia (queda de cabelo), hipertensão, edema periférico, taquicardia, edema peri-orbital (inchaço na zona dos olhos), midríase (dilatação das pupilas), síncope (desmaio), enxaqueca, sintomas depressivos, alucinações, euforia, incontinência urinária, artralgia.

O vento que canta lá fora.
O barulho na sala, o ruído das vozes.
Ela que brinca com o cabelo. Desinteressadamente. É este o adjectivo.
E eu que me embrenho mais em mim. Mais nela.
Fugindo da merda. Voando ao vento...
Cantando com ele canções para ela.

Foram ainda notificados casos raros de alteração dos resultados laboratoriais clínicos, priapismo, broncospasmo, reacção alérgica, alergias, reacções anafilactóides, hiperprolactinémia, hipotiroidismo, galactorreia, ginecomastia, sindroma de secrecção inapropriada de ADH (SIADH), diminuição da libido feminina e masculina, pesadelos, reacção agressiva, psicose, pancreatite (inflamação do pâncreas), manifestações hemorrágicas, tais como, equimoses, hemorragia ginecológica, gastrintestinal e outras hemorragias cutâneas ou mucosas, alterações hepáticas (incluindo aumento de enzimas hepáticas), hiponatrémia e aumento do colesterol sérico, angioedema, alterações esfoliativas da pele (i.e. síndroma de Stevens-Jonhson e necrose epidérmica), reacções de fotossensibilidade cutânea, urticária, coma, convulsões, contracções musculares involuntárias, sinais e sintomas associados à sindroma serotoninérgico, em alguns casos associado à utilização concomitante de fármacos serotoninérgicos, incluindo agitação, confusão, diaforese, diarreia, febre, hipertensão, rigidez e taquicardia.

Está uma tarde perfeita.
A luz mudou, e o entardecer, o pôr-do-sol, o vento frio mas gentil fazem-me estar sozinho.
Apetece-me estar com alguém. Realmente estar com alguém. Não junto mas com.
Mas estou sozinho, a ir para casa, num fim de tarde melancolicamente perfeito como este.

Podem ocorrer reacções de privação na sequência da interrupção do tratamento, no entanto, os dados de evidência clínica e préclínica disponíveis não sugerem que os Inibidores da Recaptação da Serotonina causem dependência. Em associação com reacções de privação foram notificados sintomas tais como, tonturas, parestesias, cefaleias, náuseas e ansiedade. A maioria das reacções de privação são de intensidade ligeira e auto-limitadas.

As luzes amarelas dos dois lados da rua encontram-se e formam um baço clarão por detrás do nevoeiro. A rua está calma. Fria. E morta.
A noite envolve-se na cidade que dorme à minha frente.
Os vidros têm gelo nos cantos, eu no olhar.
O quarto está escuro, as luzes amarelas dos dois lados da rua tentam desesperadamente passar o nevoeiro e entrar pelos vidros gelados. É como estar no espaço sideral, no vácuo eterno, sozinho comigo e com fantasmas de luz amarela.
Recordo outros tempos no vácuo do meu quarto de sombras.
E outras felicidades.
Consigo ficar reconfortado com a luz vaga no nevoeiro.

Os efeitos secundários descritos neste folheto, quando ocorrem, são, geralmente, de natureza moderada. No entanto, se se tornarem intensos e persistentes deverá consultar o seu médico.

Ou aprenda a estar triste.

Sábado, Setembro 30, 2006

Relatividade...



Mulher Portuguesa: Eu como cereais porque é a única coisa que me mantém a linha.
Mulher Nigeriana: Eu como cereais porque é a única coisa que nos resta.

Mulher Nigeriana: Para os meus filhos, claro, os cereais não são suficientes, e então comem e bebem muitas porcarias como raízes, vermes, lombrigas, água contaminada...
Mulher Portuguesa: Para os meus filhos, claro, os cereais não são suficientes, e então comem e bebem muitas porcarias como chocolate, batatas fritas, doces, refrigerantes...

Mulher Portuguesa: E tenho que aguentar sozinha porque, lamentavelmente, o meu marido morre por tudo o que sejam doces, cremes, tortas, bolos...
Mulher Nigeriana: E tenho que aguentar sozinha porque, lamentavelmente, o meu marido morreu na última epidemia de Beri-Beri...

Mulher Nigeriana: O que não sei é até quando conseguirei resistir sem abandonar este mundo. E então o que será dos meus filhos?
Mulher Portuguesa: O que não sei é até quando conseguirei resistir sem abandonar esta dieta. E então o que será dos meus quilos?

Quinta-feira, Setembro 28, 2006

=/

Bolinhas de sabão, sentada no chão.
Que grandes que são, que belas que são.

Minha mãe as lançava,
E eu agarrava.

Minha mãe sorria,
E eu mais nada q'ria.

Bolinhas de sabão, sentada no chão...

A pura alegria de mais um dia...

Na verdade hoje sinto-me frustrada..

Terça-feira, Setembro 26, 2006

Para o meu desenho de ti

Desenho-te a lápis, o lado concreto
Pinto azul céu e vermelho d’inferno
Sei que querias, que queres o discreto
Desenho-te as cores, e faço-te eterno

Pinto-te em pingas de tinta que sinto
Sangue que estanque a cor que preciso
Rubro de raiva que rói o que pinto
Fazes-me a falta que faz o teu riso

Vivo, morro, e a obra persiste
Mas falta-me a tinta que a falta secou
Quando por mim falta a tinta que existe

Podes pegar nesse pouco que tenho
Molhar com a lágrima do que acabou
Se é p’ra acabar esse eterno desenho.

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

Plácida Loucura

Que podes mais viver além deste momento?
Que te posso desejar mais que sofrimento?
Pragas de ódio, que grito à tua sepultura,
com a cara vermelha de sangue feito loucura.
Que sejas tu que apodreças nos infernos,
que vivas o mais frio dos invernos,
que sejas tu que ardas no mais quente fogo,
que percas para sempre no teu próprio jogo,
que te atem as mãos para que eu consiga
fazer com que te abram e te vazem a barriga,
que te mostrem de que és feito,
carne e sangue, como eu, sem defeito.
Que sejas tu que tenhas o mais podre dos tumores,
que sejas tu que vivas o maior dos horrores,
que te cortem as pernas e os braços,
que te batam e te queimem os inchaços
com cuidado para não morreres.
Que te deixem um olho para veres,
quando derem os membros aos teus inimigos,
e te derem ao riso de todos por ti atingidos,
aos que tu quiseste matar à fome,
aos que a necessidade consome,
a todos aqueles por quem tu nunca lutas,
refugiados, mendigos, órfãos e putas.
Que te arranquem a carne do osso,
que o atirem ao poço,
e ao que sobrar do teu corpo,
que seja enterrado e dado como morto.

Domingo, Setembro 24, 2006

Ela vem aí, num momento como este

Ela vem aí, num momento como este.
E nenhuma frase do que ela poderá ser, me preparará para ela...
e por pior que seja... vai ser num agora.
E nos agoras, não há a ansiedade de pessoas a falar num futuro desconhecido...
é bem diferente, é real, é saudável...
Vamos cantar vidinha!
E morrer? Que seja a caminho!

(Emanuel Dias, numa das nossas conversas ocasionais)

Os condenados por si mesmo

Pode ser a inveja que se tem, a ganância, a mesquinhez que enevoa o olhar como o fumo saído dum charro doce...
Pode ser a ambição vazia de alcançar sonhos criados pela futilidade, sonhos comprimidos em rodelas coloridas que descem melhor com uma cerveja fresca...
Pode ser o ódio que nos impingem, a tudo e a todos, por não sabermos quem somos, que tomamos e digerimos com a mesma descontracção do terceiro whisky duplo entre amigos...
Pode ser o escárnio de nós a todos, pela insegurança que nos obrigam a sentir, que nos dá a audácia de nos sentirmos superiores só por partilharmos o tubinho por onde inspiramos o pó que nos corrói o cérebro...
Pode ser a nossa incapacidade de compreendermos realmente a nossa natureza, que nos faz julgar superiores a tudo quando o ácido morno entra lentamente na nossa circulação para nos tornar perfeitos...
Somos todos drogados.
Todos.
Eu estou na minha última ressaca.

Sábado, Setembro 23, 2006

A última gota!


A gota que cai no mar,
A gota que cai no chão,
A gota que cai em mim,
em mim me molha,
em mim a sinto.
A gota que é perdida,
A gota que foi deixada
e a que foi achada.
A gota que foi bebida,
e assim é consumida.
E a que me lavou,
foi ela que me molhou.
Foi ela que me beijou.
A gota que é perdida,
a gota que é esquecida.
A última gota!